Recentemente recebi um e-mail de uma amiga e professora muito querida. Pedi autorização e estou publicando suas palavras para que possam ser um estímulo para o início da educação econômica em sua sala de aula.
"Li alguns posts de seu
blog e achei bem interessante. Recentemente tenho me
interessado pelo tema consumo e economia. Essa semana, conversei indiretamente
sobre esse assunto com meus alunos, fiquei surpresa
com alguns questionamentos, então, senti vontade de compartilhar.
Estou lendo O pequeno
príncipe com os pimpolhos, e quando chega o momento do drama com os baobás fiz
uma pausa para refletirmos sobre o pensamento do
príncipe de arrancar os baobás antes que cresçam e se enraízem.
A discussão foi
proveitosa e partimos para exemplos práticos do dia a dia como um problema de
saúde que se não devidamente tratado, torna-se mais
complicado... Enfim, logo caímos nas dívidas e a conversa foi parar no cartã
crédito.
Aproveitei a
oportunidade para explicar a o que é uma conta corrente e a diferença entre
crédito e débito. Durante nossa conversa as crianças perguntavam
coisas como:
–Mas o dinheiro da conta
corrente acaba?
- Então quando compra no
cartão tem que pagar?
- Se não pagar a fatura
depois fica mais caro?
Fiquei
contente com a participação e motivação da turma. Mas indignada em pensar o quão
distante estamos de uma educação financeira SIGNIFICATIVA. Crianças de
9 anos que já sabem tanto e perguntam coisas tão ingênuas. Ingênuas em parte, pois até
os adultos se esquecem que dinheiro acaba e se comprou tem que pagar!
Parei para
refletir na capacidade dos pequenos de compreender tantas coisas que lhe são
negadas dentro de casa e na sala de aula.
Isso não só
sobre finanças, mas alimentação, saúde...
A escola assume tantos
papéis que por vezes se perde na própria função.
“Perdemos” tempo com tanto
conteúdo e não separamos o necessário do urgente que é preparar para o conteúdo
da vida!
Foram só 30 minutos onde
não houve lápis, papel nem borracha.
Mas espero mesmo, que
daqui alguns anos esses e mais outros 30 minutos sejam lembrados
em algumas das decisões que eles fizerem.
Todos nós
temos muito o que aprender!
Um carinhoso
abraço!
Danielle
Pinheiro"
Bem, querida Dani, suas palavras mostram uma sensibilidade muito grande quanto ao compromisso que a escola deve ter na formação de crianças em pleno século XXI. Além disso, nos possibilita observar que as crianças possuem ideias originais a respeito do funcionamento do mundo e que, cabe a nós, ampliar os seus conhecimentos.
Obrigada por esse relato tão lindo que me incentiva ainda mais a me dedicar ao tema. Um beijo bem grande para você.